Maternidade e trabalho: um desafio para as mulheres no século XXI.
Ser mãe e trabalhar fora de casa é uma realidade para muitas
mulheres no Brasil e no mundo. No entanto, essa dupla jornada nem sempre é
fácil ou reconhecida pela sociedade e pelo mercado de trabalho. Pesquisas
mostram que as mulheres enfrentam diversos obstáculos para conciliar a
maternidade com a carreira, como preconceito, discriminação, sobrecarga, culpa
e falta de apoio.
Segundo um estudo realizado pela InfoJobs em 2021¹, cerca de
86% das mulheres entrevistadas afirmaram que sofreram ou acreditam que havia
preconceito relacionado à licença-maternidade. Além disso, cerca de 85% das
mulheres vivenciam jornada de trabalho dupla no país, com a realização de atividades
domésticas e cuidados com os filhos¹. Para mais da metade delas, essa rotina
impacta de forma negativa no rendimento e também no desenvolvimento do
trabalho¹.
Outra pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) em 2019 revelou que as mulheres dedicam quase o
dobro do tempo dos homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas².
Enquanto elas gastam em média 21 horas semanais nessas tarefas, eles gastam
apenas 11 horas². Essa desigualdade se reflete na participação feminina no
mercado de trabalho, que é menor do que a masculina em todas as faixas
etárias².
A maternidade também pode influenciar na escolha
profissional das mulheres e na sua trajetória de carreira. Muitas vezes elas
optam por profissões mais flexíveis ou menos exigentes em termos de tempo e
dedicação. Outras vezes elas adiam ou desistem da maternidade por receio de
perder oportunidades ou enfrentar dificuldades no trabalho. Segundo o
Ministério da Saúde, o número de mulheres que optaram pela maternidade após os
40 anos aumentou para 49,5% em 20 anos³.
Diante desse cenário complexo e desafiador, é preciso
repensar o papel da mulher na sociedade contemporânea e buscar formas de
garantir seus direitos e sua valorização como mãe e como trabalhadora. Algumas
medidas possíveis são: ampliar a licença-maternidade e a licença-paternidade;
oferecer creches públicas ou subsidiadas; promover políticas de igualdade
salarial; incentivar a divisão equitativa das tarefas domésticas; estimular a
formação e qualificação profissional das mulheres; combater o assédio moral e
sexual no ambiente de trabalho; criar redes de apoio entre as próprias mães.
Somente assim será possível construir uma sociedade mais
justa e inclusiva para todas as mulheres que exercem a maternidade e o trabalho
com dignidade e competência.
Fontes:
¹:https://vocerh.abril.com.br/coluna/ana-bernal/os-impactos-da-maternidade-na-vida-e-na-carreira-das-mulheres/
²:https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/26708-mulheres-dedicam-quase-o-dobro-do-tempo-dos-homens-aos-afazeres-domesticos-e-cuidado-de-pessoas
³:https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/mulheres-optam-por-ser-mae-apos-os-40-anos
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